Introdução
Qual é a importância do Estudo Eficiente no Contexto Acadêmico?
Passar muitas horas estudando, chegar diante de uma prova e perceber que muitas informações e conteúdos são difíceis de lembrar é uma situação bastante comum para jovens universitários. A frustração e a sensação de perda de tempo e esforço podem gerar desmotivação com os estudos e falta de autoconfiança para superar os desafios e ir em busca dos próprios objetivos. Isso ocorre quando não se utilizam técnicas de estudo eficientes e estratégias bem aplicadas, para melhorar a retenção de informações e potencializar o desempenho acadêmico.
O ciclo constante de esforço sem resultados interfere no desempenho do estudante e em todo o processo de armazenamento e retenção de conhecimento de maneira eficaz. Por consequência, muitos jovens universitários acreditam que precisam passar mais tempo estudando, quando, na verdade, precisam apenas adotar um método de estudo útil e suficiente para produzir bons resultados acadêmicos. O grande problema não está no tempo dedicado aos estudos, mas sim na maneira como o processo de aprendizagem é conduzido.
Aprender a estudar da maneira correta é essencial no contexto acadêmico. Nesse sentido, fazer uso de técnicas comprovadas que facilitam a assimilação e a recuperação das informações é necessário. As boas técnicas de estudo permitem que o estudante otimize seu tempo e evite longas horas de estudo sem planejamento. O estudo se torna bem direcionado, eficiente, e proporciona maior compreensão, retenção do conteúdo e melhores resultados, quando é desenvolvido com métodos e técnicas adequadas.
O estudo eficiente constrói habilidades cognitivas importantes, como a capacidade de resolver problemas, pensar criticamente e aplicar os conhecimentos adquiridos com eficácia. Os jovens universitários conseguem organizar todas as suas atividades diárias de forma estratégica, planejando o momento certo para aulas, atividades extracurriculares, provas e exames, pesquisas e prazos de entrega. Além disso, desenvolvem autonomia, pois passam a ter controle de todo o seu processo de aprendizagem, o que fortalece sua autoconfiança. É preciso aprender a estudar da maneira correta, não é mesmo!?
Por que a retenção de informações é essencial para o aprendizado eficaz?
Você sente que tem dificuldades para reter dados e conteúdos? Já observou que, após alguns dias de estudo, esquece tudo o que havia aprendido? Para que o processo de aprendizagem seja efetivo, é fundamental que ocorra a retenção de informações. Isso permite que o conhecimento adquirido seja consolidado na memória de longo prazo, ou seja, a pessoa não precisa reaprender um determinado conteúdo, pois a retenção de informações foi eficaz. Consequentemente, a aplicação prática do conhecimento é facilitada. Por exemplo, em áreas como a matemática, a retenção de fórmulas ou conceitos é essencial para resolver problemas de maneira eficiente!
A retenção de informações não ocorre apenas pelo tempo dedicado aos estudos, mas sim pela forma como o conteúdo é processado. Pesquisas conduzidas por Bjork & Bjork (2011), sobre aprendizado mostram que a prática espaçada melhora a retenção de informações em até 50%. Além disso, estudos da Universidade da Califórnia também reforçam que a revisão ativa aumenta a fixação do conteúdo a longo prazo. Isso significa que, ao aplicar estratégias adequadas, é possível reduzir o tempo de revisão e maximizar a aprendizagem, tornando o estudo mais produtivo e qualificado. Interessante, né!
Além disso, a forma como o cérebro organiza e consolida o conhecimento influencia diretamente na retenção. Alguns métodos, como associação de conceitos, repetição ativa e ensino para terceiros, são instrumentos que transformam as informações em memória de longo prazo. Por isso, estudar utilizando métodos e estratégias inteligentes é essencial para armazenar informações e, consequentemente, para o sucesso no desempenho acadêmico. Você conhece, por exemplo, a repetição ativa? É uma das melhores técnicas de estudo para aprender melhor!
Em vista disso, para que a retenção de informações aconteça de maneira adequada, é fundamental adotar métodos e estratégias de estudo eficazes. Como nosso cérebro possui um processo natural de descarte de informações, conhecido como a curva do esquecimento, boa parte dos conteúdos e informações que recebemos e estudamos, se não forem revisados, serão perdidos! Esse problema é bastante comum entre estudantes que passam horas estudando e, em poucos dias, esquecem grande parte das informações. Usar boas técnicas de estudo é fundamental.
Visão geral do que será abordado no artigo
Muitos estudantes acreditam que estudar mais é a solução para aprender melhor, mas, na realidade, a forma como o estudo é conduzido tem um impacto muito maior. Técnicas baseadas em evidências científicas podem transformar a maneira como o cérebro absorve e armazena o conhecimento, tornando o aprendizado mais eficaz e duradouro.
Este artigo tem como objetivo apresentar técnicas de estudo e métodos eficazes no processo de aprendizagem para jovens universitários que desejam melhorar a retenção de informações e o desempenho acadêmico. Com base em pesquisas científicas, serão apresentadas técnicas de estudo que auxiliam a construção de um processo de aprendizagem eficiente e que produzem os melhores resultados.
Também abordaremos a neurociência por trás da aprendizagem e a influência das técnicas de estudo na retenção de informações, além de discutir mitos e verdades sobre métodos de estudo. A ideia central é mostrar o processo de retenção de informações e destacar que, ao adotar métodos adequados, qualquer estudante pode otimizar seu tempo de estudo e obter um desempenho superior sem precisar estudar excessivamente.
Ao longo do conteúdo, você descobrirá como pequenas mudanças na rotina de estudos podem fazer uma grande diferença. Estratégias simples e acessíveis, quando aplicadas corretamente, podem proporcionar uma melhoria significativa na retenção de informações e na produtividade, e fazer com que você alcance os melhores resultados e atinja seus objetivos!
E você, já experimentou alguma técnica de estudo? Como costuma estudar para melhorar sua retenção de informações? Compartilhe sua experiência nos comentários! Vamos trocar ideias sobre como aprender de forma mais eficiente.
1. O que são técnicas de estudo eficientes e como elas ajudam a melhorar o seu aprendizado?
Você já se perguntou por que algumas pessoas parecem aprender mais rápido e lembrar das informações com mais facilidade? A resposta pode estar nas técnicas de estudo utilizadas! De acordo com Weinstein et al. (2018), as técnicas de estudo são métodos usados para gerar a retenção e a recuperação de informações e melhorar o processo de aprendizagem dos estudantes. A autoexplicação ou a prática espaçada são exemplos de métodos de estudo que podem aperfeiçoar o aprendizado ao longo do tempo.
É interessante observar que algumas técnicas de estudo são de fato eficazes, enquanto outras são mais populares. Dunlosky et al. (2013) mostrou que os resumos e a releitura, por exemplo, que são bastante conhecidos pelos estudantes, são métodos de eficácia limitada comparados a, por exemplo, a autoavaliação regular, que é mais prática e competente para o aprendizado. Além disso, Dunlosky et al. (2020) também ressaltam que, para que o estudante tenha um aprendizado mais eficaz e duradouro, é essencial adotar técnicas de estudo eficientes, pois assim ele alcança um melhor desempenho e retenção de informações.
Roediger e Butler (2020), também afirmam que técnicas de estudo como a recuperação ativa e a prática espaçada são essenciais para melhorar a aprendizagem, porque estas técnicas facilitam a retenção de informações e também ajudam o estudante a recuperar esses dados em contextos diferentes. Você já sabia disso?
Quem não quer estudar de forma mais inteligente e reter melhor o conteúdo para provas e desafios acadêmicos? O segredo está em utilizar técnicas de estudo adequadas, porque elas, verdadeiramente, são a chave!
1.1 Estudo ativo vs. estudo passivo: qual técnica de aprendizagem é melhor?
Nós sabemos que existem diferentes formas de aprendizagem que geram diferentes resultados. Mas você sabe qual método realmente funciona? Segundo Roediger e Butler (2011), “o estudo ativo, como a recuperação ativa, exige que os estudantes busquem ativamente informações na memória, o que fortalece a retenção a longo prazo, enquanto o estudo passivo, como a releitura, não provoca o mesmo nível de envolvimento cognitivo”.
Você sabia que o estudo ativo ou passivo é determinado pelo nível de esforço cognitivo que o estudante aplica no seu processo de aprendizagem? É verdade! Brown, Roediger e McDaniel (2014) apontaram pesquisas que mostraram isso! Eles viram que a releitura, que é um modelo passivo, envolve menos esforço no cérebro, enquanto que a prática espaçada, que é um modelo mais ativo, força o cérebro a trabalhar de forma mais profunda.
Então a gente entende que no estudo ativo o estudante participa de todo o processo de aprendizagem, interagindo, construindo suas opiniões e fazendo aplicações práticas. Ao passo que, no estudo passivo, o estudante é mais receptivo e se envolve mais com atividades como leitura, escuta e observação, com pouca interação. Curioso, né? Nem todas as técnicas funcionam da mesma forma!
Dunlosky et al. (2013) também ressalta que os métodos de estudo ativo são mais eficazes que os métodos passivos, porque exigem, verdadeiramente, maior esforço cognitivo e consequentemente melhoram o processo de aprendizagem e a memória no longo prazo. Soderstrom e Bjork (2015) também mostram que os métodos ativos fazem com que o aluno busque reforçar o conteúdo estudado e isso melhora a retenção de informações a longo prazo, e que, portanto, estudar ativamente é mais eficaz que o estudo passivo.
Portanto, o ensino ativo e passivo têm suas diferenças, e são importantes na aprendizagem. Você já pensou em combinar os dois métodos na sua rotina de estudos? Ou talvez seja o momento de adotar as estratégias do estudo ativo para ter melhores resultados!
1.2 Por que as técnicas de estudo ajudam a aprender mais em menos tempo?
Sabe aquela sensação de saber que você estudou melhor todo o conteúdo e ainda não desperdiçou tempo? Pois é! Esse resultado positivo pode ser alcançado com as técnicas de estudo certas! Como afirma Dassow Vieira-Santos (2021), as técnicas de estudo são estratégias que procuram melhorar a retenção de informações e a recuperação de conhecimentos. E o processo de aprendizagem precisa de técnicas de estudo eficazes, para que o estudante alcance sucesso e para que a retenção de informações seja mais eficiente.
Estudar com estratégia é essencial, porque a falta de um método bem estruturado pode levar a horas de estudo ineficientes e à desmotivação pelo tempo perdido. John Dunlosky et al. (2013) destacam que as técnicas de estudo são fundamentais para melhorar a aprendizagem e otimizar o tempo dedicado aos estudos. Ele mostra como a prática distribuída e a autoavaliação, por exemplo, são muito úteis na retenção de informações. O estudante se torna mais produtivo durante todo o tempo de estudo!
Além disso, você conhece os benefícios que as técnicas de estudo apropriadas podem gerar na sua aprendizagem? Henry L. Roediger III e Mark A. McDaniel (2014) mostrou alguns deles, como:
- Auxílio na retenção de informações;
- Apoio na aplicação prática do conhecimento;
- Otimização do tempo;
- Redução da necessidade de revisões constantes;
- Construção do pensamento crítico e da autonomia.
Imagine todos esses benefícios na sua rotina de estudos! Seria incrível, não é!?
Por fim, Paul A. Kirschner e Jeroen J.G. van Merriënboer (2013), ao discutirem sobre a importância de técnicas de estudo no processo de aprendizagem, alertam sobre a necessidade de adotar estratégias eficazes para que o aprendizado seja eficiente e o estudante alcance bons resultados acadêmicos, e a urgência de não trabalhar com métodos populares de estudo, porém ineficazes, que podem levar a resultados insatisfatórios. O estudo ativo, como mostram López; González; Cano (2016), permite que os alunos desenvolvam estratégias para solucionar problemas e faz com que o processo educacional se torne mais dinâmico.
Que tal melhorar os seus estudos e alcançar grandes resultados acadêmicos? Experimente aplicar as técnicas de estudo que você verá como o seu desempenho vai ser muito mais competente!
Quadro-resumo: Técnicas de estudo
| 1. O que são técnicas de estudo eficientes e como elas ajudam a melhorar o seu aprendizado? As técnicas de estudo são métodos usados para gerar a retenção e a recuperação de informações e melhorar o processo de aprendizagem dos estudantes. Existem diversas técnicas, algumas são de fato eficazes, enquanto outras são mais populares. Para que o estudante tenha um aprendizado mais eficaz e duradouro, é essencial adotar técnicas de estudo eficientes, pois assim ele alcança um melhor desempenho e retenção de informações. |
| 1.1 Estudo ativo vs. estudo passivo: qual técnica de aprendizagem é melhor? Estudo ativo: exige que os estudantes busquem ativamente informações na memória e participem de todo o aprendizado. É uma forma de estudo que fortalece a retenção a longo prazo. Por ex, recuperação ativa. Estudo passivo: exige dos estudantes um comportamento mais receptivo, sem grande envolvimento cognitivo, como no estudo ativo. Por ex, releitura, escuta e observação. |
| 1.2 Por que as técnicas de estudo ajudam a aprender mais em menos tempo? As técnicas de estudo ajudam a aprender com maior qualidade porque oferecem um método direcionado e estruturado para o estudo, e a falta de um método bem estruturado pode levar a horas de estudo ineficientes e à desmotivação pelo tempo perdido. Elas são peças fundamentais para a rotina porque melhoram o aprendizado e a retenção de informações e otimizam o tempo de estudo. Além disso, muitos benefícios são proporcionados pelo uso de boas técnicas de estudo. Trabalhar com técnicas efetivas é essencial para atingir bons resultados. |
2. Como o Cérebro aprende: o que a Neurociência diz sobre as Técnicas de estudo
Você já percebeu como temos um cérebro incrível e eficiente? Vários autores científicos como: Hubel, D. H., Wiesel, T. N. (1962), Sherman, S. M., & Guillery, R. W. (2002), McGaugh, J. L. (2000), Squire, L. R. (1992) e Cabeza, R., & Nyberg, L. (2000) explicam como acontece o processo de armazenamento de informações no nosso cérebro. Vou te mostrar como essa grande máquina processa e armazena as informações que recebemos!
Segundo eles, tudo começa com um estímulo do ambiente que vem pelos nossos sentidos (visão, audição, tato, paladar, olfato), esse estímulo é captado por receptores sensoriais que ficam na nossa visão e na nossa audição. Depois eles são transformados em sinais elétricos e são enviados para o nosso cérebro, por meio de nosso sistema nervoso. O cérebro processa todas essas informações e armazena.
O hipocampo, que é uma pequena estrutura do cérebro responsável pela formação de memórias, fortalece essas informações recebidas e armazena em diferentes áreas do cérebro. Por exemplo, informações visuais podem ser armazenadas no córtex visual, enquanto informações motoras podem ser armazenadas no córtex motor. E assim, quando precisamos recuperar uma informação, por exemplo quando tentamos lembrar de algo, uma rede de neurônios é ativada e a memória é recuperada!
Aliás, dentro do nosso cérebro, cada informação que recebemos é conectada com experiências anteriores e isso facilita a retenção de informações. Anderson (2005) mostra que, quando a aprendizagem é feita com associações essas redes neurais do nosso cérebro ficam mais fortes e eficientes, e também acontece uma grande interação entre o córtex pré-frontal e o hipocampo, o que é fundamental para integrar novos aprendizados com o conhecimento que já existe na nossa mente!
O mais interessante disso tudo, é que a atenção, quando estamos focados em uma atividade, com a ajuda do nosso hipocampo o cérebro forma memórias mais duradouras, Posner e Rothbart (2007) mostraram isso! Esses autores também destacam que, a atenção ajuda a selecionar informações que são relevantes e a ignorar as distrações, um processo que é essencial para a aprendizagem eficiente! Pensar em adotar algumas técnicas de concentração seria muito bom para melhorar a atenção em nossas atividades não é mesmo?!
Por fim, é importante ressaltar a “revisão” que o nosso cérebro realiza durante o sono! Walker (2009) explica que, no sono, o cérebro faz uma “revisão” mesmo, das nossas memórias, levando-as para áreas mais profundas do córtex cerebral, onde ocorre então a chamada consolidação da memória, que é um processo onde a memória se torna mais estável ao longo do tempo. Por isso, podemos dizer que o descanso é importante na aprendizagem para que as informações que recebemos, em nossa rotina de estudos por exemplo, sejam certamente armazenadas e processadas de maneira eficiente.
Você já conhecia todo esse processo incrível que acontece no nosso cérebro? É interessante olhar como a neurociência atua e como ter esse conhecimento nos ajuda a aplicar as técnicas de estudo de maneira mais apropriada, cuidando da atenção em nossas atividades e da qualidade do nosso sono, por exemplo!
2.1 Memória e aprendizagem: qual a ligação entre eles?
A memória é fundamental no nosso dia a dia, mas você já pensou em como o nosso cérebro faz pra transformar um estímulo elétrico em uma imagem completamente perfeita na nossa cabeça? Como ele faz para formar a imagem e a fisionomia de nossos pais, por exemplo? E infelizmente para essas questões, a neurociência ainda não tem respostas definitivas! É, com certeza, um mistério fascinante não é mesmo?!
Mourão Júnior e Faria (2014), explicam que a memória é a capacidade dos seres vivos de adquirir, armazenar e evocar informações. Ela é um processo psicológico incrível que nós nem nos damos conta de sua importância em nossa vida! A nossa capacidade de lembrar está intimamente relacionada à memória, se não fosse ela nós nem sequer lembraremos qual é o nosso nome! também não saberíamos quem são nossos pais e amigos. Ela é um recurso cognitivo fundamental para a nossa vida!
Estudando a respeito da memória, alguns pesquisadores como Mourão & Melo (2011), Goldberg (2009) e Mourão Júnior e Faria (2014), classificaram ela em diferentes tipos. Nós temos, por exemplo, a memória sensorial e a memória de trabalho. A memória sensorial são as informações que vem dos nossos sentidos, estímulos visuais, auditivos, gustativos, olfativos, táteis, e é uma memória de curta duração. Por exemplo, quando comemos um bolo de chocolate essa informação é levada ao nosso cérebro e é a memória sensorial que registra esse estímulo e mostra ao nosso cérebro a sensação deliciosa e saborosa de comer algo tão bom!
A memória do trabalho é um tipo de memória que tem a função de armazenar as informações que recebemos de maneira rápida. Por exemplo, se você deseja comprar uma pizza, você consegue guardar o número de telefone na sua cabeça num tempo suficiente para chegar ao telefone e discar o número. Esse trabalho é feito pela memória do trabalho, e depois essa informação deixa de ser útil e é descartada. Certamente você irá esquecer o número de telefone da pizzaria depois de ligar, não é mesmo?! Mas, caso essa informação seja de interesse, você consegue guardá-la e transformá-la em memória duradoura.
É interessante discutirmos sobre a ligação da memória com a aprendizagem. Kandel (2009) destaca que a memória tem um papel muito importante no processo de aprendizagem. Ele mostra que a carga emocional que temos, positiva ou negativa, vai influenciar na nossa aprendizagem e determinar se aquela informação ou conhecimento que recebemos vai permanecer ou não na memória de longo prazo. E assim, é a memória que vai nos permitir ter acesso a conteúdos aprendidos.
A aprendizagem é um processo de interação contínua que acontece durante toda nossa vida. E, todo o conhecimento que temos e recebemos precisa permanecer na nossa memória para que seja considerado aprendizado. Afinal, se não lembramos, não aprendemos! É fundamental concordar com Kandel (2009) quando ele diz que, quanto mais estímulos recebemos mais sinapses e conexões neurais são realizadas, e consequentemente mais aprendemos! Segundo ele, podemos inferir que a aprendizagem depende diretamente do estímulo que recebemos e está ligada à memória.
É fascinante entender como a memória é um processo complexo não é mesmo! E como ela tem íntima relação com a aprendizagem! Que essas informações possam te ajudar a ver a importância da memória! Se não fosse a memória, a nossa capacidade de aprender seria completamente ameaçada! Se quisermos que os conceitos e conteúdos de nossos estudos se fixem em nossa memória de longo prazo precisamos do treinamento contínuo, aprender continuamente, seguido dos períodos de descanso!
2.2 Existe uma relação entre esforço cognitivo e retenção de informações?
Vou te mostrar agora, como o esforço cognitivo, a atividade do nosso cérebro tem grande relação com a retenção de informações que fazemos. De acordo com Sweller (1988) a nossa capacidade de reter informações está diretamente relacionada ao nível de esforço cognitivo que empregamos em nossas atividades e também, durante o processo de aprendizagem. Ele mostra que as atividades que desafiam o cérebro de forma moderada, sem sobrecarregá-lo, fazem com que a retenção de informações seja mais eficiente.
Segundo Kahneman (1973) a atenção tem um papel importante também na retenção do conhecimento. Então quando uma pessoa se envolve em uma atividade que exige dela um maior esforço mental, o aprendizado é melhor consolidado no cérebro. Enquanto que, informações recebidas de maneira passiva, são esquecidas mais rapidamente.
Isso nos mostra a importância de buscar técnicas de estudo que colocam o indivíduo em constante interação com seu material de estudo. Pesquisas de Bjork & Bjork (1992) mostram que técnicas de estudo como a recuperação ativa, forçam o cérebro a fortalecer as conexões neurais e a recuperar as informações recebidas, por isso elas são tão eficazes!
Além disso, a motivação e o estado emocional também influenciam o esforço cognitivo e a retenção de informações. Segundo Dweck (2006), emoções positivas provocam a liberação de mais neurotransmissores como a dopamina, e isso fortalece as conexões neurais e consequentemente melhora também a capacidade de retenção de informações. Você costuma alimentar suas motivações e sonhos? Isso pode contribuir para um aprendizado mais eficaz e duradouro!
Por fim, Bawden e Robinson (2020), destacam que, nos dias de hoje existe um grande fenômeno social chamado sobrecarga informacional (SI) ou sobrecarga cognitiva, que é uma situação em que há “tanta informação diante de um indivíduo que ela se torna um obstáculo em vez de uma ajuda”, e assim irá prejudicar a maneira como o indivíduo irá fazer uso de tanta informação. A SI, é um grande desafio porque afeta os indivíduos e toda a sociedade.
Eles mostram que, quando uma pessoa se depara com uma grande quantidade de informações, ela sente dificuldades em organizar e processar essas informações e isso leva a consequências como ansiedade, estresse e baixo desempenho em atividades diárias. Já tinha ouvido falar?
Então qual a relação podemos estabelecer nesse cenário? Diante da era tecnológica, somos bombardeados por muitas fontes de informações e é importante assumirmos autocontrole de nosso processo de aprendizagem filtrando e selecionando adequadamente as fontes de informações que buscamos para que, a SI não cause em nós a sobrecarga e o baixo desempenho nos estudos por exemplo!
Aqui também entra a importância de utilizarmos técnicas de estudo eficazes e que nos direcionam em busca do sucesso em nosso processo de aprendizagem, de modo que as influências do ambiente externo não prejudiquem nosso desempenho!
Resumo rápido:
- Neurociência: Recebemos um estímulo do ambiente que é transformado em sinais elétricos e enviado para o cérebro que processa as informações, e o hipocampo armazena esses dados para quando precisarmos recuperar e utilizar.
- Memória: A memória é a capacidade dos seres vivos de adquirir, armazenar e evocar informações. Ela é um processo fundamental na nossa vida. Temos diferentes tipos: a memória sensorial, que armazena as informações que vem dos nossos sentidos, estímulos visuais, auditivos, gustativos, olfativos, táteis, e é uma memória de curta duração; a memória do trabalho é um tipo de memória que tem a função de armazenar as informações que recebemos de maneira rápida, para quando precisamos usar rápido uma informação e depois descartar. A memória vai influenciar na nossa aprendizagem e determinar se aquela informação ou conhecimento que recebemos vai permanecer ou não armazenada.
- Esforço cognitivo: A nossa capacidade de reter informações está diretamente relacionada ao nível de esforço cognitivo que empregamos em nossas atividades e também, durante o processo de aprendizagem.Quando uma pessoa se envolve em uma atividade que exige dela um maior esforço mental, o aprendizado é melhor consolidado no cérebro. Enquanto que, informações recebidas de maneira passiva, são esquecidas mais rapidamente. Isso nos mostra a importância de buscar técnicas de estudo que colocam o indivíduo em constante interação com seu material de estudo para favorecer o processo de aprendizagem.
3. Mitos e verdades sobre métodos de estudo: o que funciona?
Para Schunk (2012), “Aprendizagem é a aquisição e modificação duradoura de conhecimentos, habilidades, estratégias, crenças, atitudes e comportamentos por meio da experiência.” Ou seja, tudo o que fazemos em nossa vida envolve aprendizagem, a partir das experiências que vivemos.
O grande neurocientista John Sweller, que criou a teoria da carga cognitiva, explica que o aprendizado acontece com efeito, quando as informações são processadas de maneira ativa, por exemplo, quando você tenta ensinar uma matéria para uma outra pessoa, em vez de apenas tentar absorver de maneira passiva, relendo um conteúdo, por exemplo. Interessante, né!
Em relação aos métodos de estudo, você já passou horas grifando textos, relendo textos e sentiu que não conseguiu aprender de forma definitiva? Talvez você esteja usando uma estratégia ineficaz! É comum que muitos estudantes passem anos usando métodos de estudo ineficazes. Dunlosky et al. (2013) mostraram em suas pesquisas que a prática da recuperação ou a repetição espaçada, por exemplo, são significativamente mais eficazes para a retenção de informações. Mas ainda assim, muitos estudantes continuam com os métodos ultrapassados.
Além disso, muitos estudantes não têm autonomia em seu processo de aprendizagem! Você já havia reparado nisso? Leandro S. Almeida (2002) e Rosário (1999) explicam que, para que o estudo seja eficaz, o estudante precisa construir competências e desenvolver estratégias de aprendizagem. Nisbett et al. (1996) explicam que as estratégias de aprendizagem são procedimentos realizados para facilitar o armazenamento e utilização de uma informação, e elas são capazes de melhorar significativamente o rendimento escolar dos estudantes.
Weinstein e Mayer (1985) e Evely Boruchovitch (1999) mostram que existem alguns tipos de estratégias de aprendizagem que podem ser muito úteis na rotina de estudos! Podemos destacar a estratégia de ensino que consiste em repetir pela fala ou escrita um determinado conteúdo; estratégias de elaboração que consistem em reescrever ou resumir um material; estratégias afetivas que referem-se à eliminação de sentimentos desagradáveis, que não condizem com a aprendizagem, por exemplo, controlar a ansiedade e manter a motivação e concentração.
E, para concluir, é importante observar o seguinte: as técnicas de estudo não podem ser aplicadas como uma receita de bolo ou um “adestramento” para todos os estudantes. Porque cada estudante se identifica com uma técnica diferente! Leandro S. Almeida (2002) já havia falado sobre isso, que o grande segredo está em habituar o estudante a escolher a técnica de estudo, a estratégia que mais está de acordo com a sua realidade e rotina de estudos.
Realmente existem muitas técnicas de estudo, mas o interessante é que cada um tem sua própria estratégia e maneira de trabalhar a aprendizagem! Quais técnicas você utiliza? Conhece algum método de estudo que é realmente ineficaz e que dificulta a retenção de informações de maneira sólida? A seguir vamos apresentar um quadro-resumo sobre mitos e verdades sobre métodos de estudo! Aproveite!
Quadro-resumo: Mitos e verdades!
| MITOS | VERDADES | REFERÊNCIAS |
| “Estudar por muitas horas sem pausa é produtivo.” | Falso! Para que ocorra a retenção de informações o cérebro precisa de pausas. O método Pomodoro, por exemplo, que intercala estudo e descanso é eficaz! | Pacheco et al. (2019), Frontiers in Psychology |
| “Reescrever anotações várias vezes ajuda a memorizar melhor.” | Falso! Para uma retenção melhor é possível utilizar a prática da recuperação, como testar-se sobre o conteúdo, porque é mais eficaz que apenas reescrever. | Karpicke e Blunt (2011), Science |
| “Cada pessoa tem um estilo de aprendizagem específico (visual, auditivo ou cinestésico), e estudar de acordo com esse estilo melhora o aprendizado.” | Mito! Os pesquisadores têm mostrado que para um impacto significativo na retenção é mais importante utilizar técnicas de estudo que são eficazes do que adaptar o estudo a um determinado “estilo de aprendizagem” | Pashler et al. (2008), Psychological Science in the Public Interest |
“Grifar e reler o texto várias vezes é uma ótima forma de aprender.” | Falso! Os estudos têm mostrado que os métodos ativos são de fato os mais eficazes como, resumos e autoexplicação, grifar e reler são considerados de baixa eficácia para a aprendizagem. | Dunlosky et al. (2013), Psychological Science in the Public Interest |
| “Aprender enquanto dorme (ouvindo áudio) pode substituir o estudo ativo.” | Mito! É preciso trabalhar com o estudo ativo, porque ouvir áudios enquanto dorme é um método passivo que não substitui os métodos ativos, embora o sono seja essencial para consolidar memórias. | Antony et al. (2012), Nature Neuroscience |
| “Quanto mais difícil for o estudo, melhor será a retenção do conteúdo.” | Parcialmente verdadeiro. Quando existe uma dificuldade moderada nos assuntos estudados isso pode aumentar a retenção, mas excesso de esforço gera sobrecarga e reduz a aprendizagem. | Bjork & Bjork (2011), Psychology and the Real World |
Breve Explicação:
Mito: “Estudar por muitas horas sem pausa é produtivo.”
Você já estudou por muitas horas sem pausa e achou que foi eficaz? Talvez não seja a forma de estudo mais indicada! Pacheco et al. (2019), em um de seus estudos, mostraram que quando o estudante não faz pausas, a capacidade do cérebro de reter informações diminui drasticamente! O método Pomodoro, por exemplo, que alterna 25 minutos de estudo e 5 minutos de descanso, é eficaz! Porque é um método que mantém a concentração, reduz o cansaço e ajuda a consolidar a memória e a produtividade.
Mito: “Grifar e reler várias vezes o conteúdo é uma ótima forma de aprender.”
Dunlosky et al. (2013), em uma ampla revisão de estudos publicada na Psychological Science in the Public Interest, classificaram a releitura e o grifo como estratégias de baixa eficácia para retenção de informações. Em vez disso, técnicas como testar-se sobre o conteúdo e a autoexplicação mostraram-se significativamente mais eficazes para consolidar o conhecimento. Ou seja, é mais produtivo transformar o aprendizado em um processo ativo do que apenas reler passivamente. Muitos estudantes têm o hábito de reler e grifar um conteúdo quando estão estudando, mas essa é uma estratégia de baixa eficácia para a retenção de informações.
Para concluir, é possível notar a importância de abandonar as práticas ultrapassadas e passar a utilizar os métodos de estudo que realmente são eficazes e têm embasamento científico! Só assim, poderemos encontrar os frutos positivos do nosso trabalho e fazer com que a aprendizagem seja realmente eficiente!
Conclusão
Recapitulação dos pontos discutidos
Para concluir, vimos que o ciclo de esforço sem resultados interfere diretamente na aprendizagem e no processo de retenção de informações de maneira eficiente. Aprender a estudar da maneira correta, aplicando técnicas de estudo eficazes, é essencial porque permite otimizar o tempo e evitar longas horas de estudo sem planejamento.
Exploramos técnicas de estudo cientificamente comprovadas, como a recuperação ativa e a prática espaçada. Elas são essenciais para melhorar a aprendizagem porque facilitam a retenção de informações e também ajudam o estudante a recuperar esses dados em contextos diferentes. Além disso, estratégias como a prática distribuída e a autoavaliação, por exemplo, são muito eficazes para reter informações e fazer o estudo ser produtivo!
Diferenciamos o estudo ativo do estudo passivo, destacando os métodos de estudo ativo como mais eficazes, porque exigem de fato, maior esforço cognitivo e consequentemente melhoram o processo de aprendizagem e a memória no longo prazo. Também abordamos alguns benefícios das técnicas de estudo, como: auxílio na retenção de informações, aplicação prática do conhecimento, otimização do tempo e redução da necessidade de revisões constantes.
Além disso, a neurociência nos mostrou o incrível processo de armazenamento de informações no nosso cérebro, desde um estímulo do ambiente até a ativação de uma grande rede de neurônios para recuperar uma memória, que é um processo psicológico incrível que tem íntima relação com a aprendizagem, e vimos as características da memória sensorial e da memória do trabalho.
E, por fim, em relação aos métodos de estudo, apresentamos alguns mitos e verdades, estratégias que achávamos serem corretas quando, na verdade, eram mitos e que precisamos adotar métodos de estudo que, sem dúvida, são eficazes e que possuem embasamento científico.
Ao aplicar as técnicas de estudo apropriadas, qualquer estudante pode transformar seu aprendizado para melhor, alcançar grandes resultados acadêmicos e otimizar todo o seu tempo de estudo.
Quadro-resumo: Técnicas de Estudo
| Técnica de Estudo | Benefício principal |
| Prática espaçada | Promove o aumento da retenção na memória. Exemplo de aplicação: Se voce tem um conteúdo extenso para estudar, ao inves de estuda-lo apenas em um único dia, procure distribuir o conteúdo ao longo da semana. Assim, voce consegue aprender e revisar o conteúdo em intervalos bem definidos. Por ex, matemática. Segunda: Funções; Terça: equações do primeiro grau; Sexta: equações do segundo grau. |
| Recuperação ativa | Potencializa as conexões neurais. Exemplo de aplicação: Para aplicar recuperação ativa na sua rotina, voce pode, após ler um determinado conteúdo de Biologia sobre sistema respiratório por exemplo, fechar o livro e tentar explicar o que entendeu desse conteúdo com as proprias palavras, sem consultar o material. Esse esforço para recuperar as informações é o que fortalesce a memória. |
| Autoavaliação | Aumenta o desempenho e o autoconhecimento. Exemplo de aplicação: Após estudar e aprender um determinado conteúdo procure resolver uma série de exercicios e testes sobre o que foi estudado. Pesquise por provas, simulados e exercícios e procure resolve-los. Dessa forma voce consegue testar o proprio conhecimento e identificar lacunas de aprendizagem. |
| Repetição ativa | Melhora a memória de longo prazo. Exemplo de aplicação: Para aplicar repetição ativa nos seus estudos, voce pode após estudar e aprender um conteúdo, criar flashcards escrevendo as informações mais relevantes do que aprendeu. Repita o processo até memorizar com eficiência. |
Coloque o conhecimento em prática!
Você observou como usar técnicas de estudo eficientes é importante para a retenção de informações e para o seu bom desempenho acadêmico? Tente agora aplicá-las no seu dia a dia! Experimente estratégias como a recuperação ativa, a autoexplicação, e você verá como a sua rotina vai ser produtiva e depois, colherá os melhores resultados! Análise aquela que melhor se adapta às suas necessidades de aprendizagem!
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