Introdução
Principais desafios para memorizar e reter informações nos estudos!
Conseguir memorizar grandes quantidades de conteúdos e informações pode ser um dos maiores desafios de qualquer estudante. Você sente esse desafio? O cérebro possui um processo natural de esquecimento e, infelizmente, se não forem adotadas e aplicadas boas estratégias no processo de aprendizagem, como revisões frequentes, rapidamente os conteúdos estudados podem ser perdidos da memória.
De acordo com Hermann Ebbinghaus, psicólogo pioneiro nos estudos sobre memória, depois de uma hora cerca de 50% dos conteúdos aprendidos são perdidos, e cerca de 90% dentro de uma semana, se não existir uma revisão frequente. Essa descoberta levou ao conceito da Curva do Esquecimento, que é um dos principais desafios dentro do processo de aprendizagem.
Além disso, o vasto número de dados e informações que existem no mundo hoje também contribui para dificuldades relacionadas à manutenção do foco e à retenção efetiva de informações na memória. Como explica um estudo publicado na Nature Reviews Neuroscience, quando existe uma grande quantidade de estímulos, há interferências no processo de consolidação da memória a longo prazo.
Ou seja, mesmo que o aprendizado aconteça de maneira vitoriosa, e o estudante aprenda realmente conceitos e informações estudados, se não houver um método de revisão ativa, grande parte desse aprendizado é rapidamente perdida, processo que pode ser intensificado pelas distrações e estímulos de todos os lados que dificultam a atenção sustentada em atividades importantes, como o estudo. Você faz revisões com frequência na sua rotina?
Outra questão importante é a crença de que somente a repetição desordenada é suficiente para lembrar de uma informação estudada. Mas, de acordo com Bjork & Bjork (1992), da Universidade da Califórnia, o simples ato de repetir informações de maneira passiva e automática não leva à retenção efetiva de conteúdos na memória de longo prazo. É preciso utilizar estratégias de repetição ativa, em intervalos regulares, por exemplo, esse método é muito presente na revisão espaçada, uma técnica de estudo muito eficiente.
Desse modo, fazer revisão ativa, ou até mesmo se utilizar da revisão espaçada, são excelentes maneiras de garantir que as informações de fato sejam retidas na memória e promover o aprendizado duradouro, diminuindo as interferências da curva do esquecimento.
Por fim, vale considerar que, no processo de retenção e memorização de conteúdos, o estilo pessoal de aprendizagem deve sempre ser levado em consideração. Existem muitas técnicas ativas de estudo, mas nem todo mundo se adapta bem a todas elas. Testar cada estratégia de aprendizagem e até mesmo de formas de revisões é a melhor forma de encontrar o que se adapta às necessidades e interesses pessoais.
De acordo com Dunlosky et al. (2013), em uma revisão publicada na Psychological Science in the Public Interest, alguns métodos de estudo que respeitam o bom funcionamento da memória, como o Spaced Repetition, promovem resultados mais sólidos comparados a métodos mais tradicionais de aprendizagem.
Portanto, memorizar informações é um desafio que pode sim ser bem administrado com o uso de métodos e estratégias ativas de revisões frequentes, para assim amenizar a curva do esquecimento e promover um aprendizado mais sólido e eficiente.
Qual é a importância da memorização no aprendizado eficaz?
A memorização tem um papel crucial no processo de aprendizagem, porque é por meio dela que as informações são armazenadas na memória de longo prazo e podem, com o tempo, ser usadas e aplicadas em diferentes contextos da realidade. É por ela que o aprendizado se concretiza, e assim garantir a memorização de conceitos e informações estudados é fundamental para consolidar o conhecimento.
O processo de memorização não se resume a apenas reler dados de maneira passiva e mecânica, mas sim integrar as informações na memória, de modo que, em qualquer cenário, elas possam ser facilmente acessadas e utilizadas. De acordo com Ausubel (1968), psicólogo educacional, o aprendizado efetivo acontece quando novas informações são conectadas a informações antigas de maneira duradoura. E isso só é possível com um processo de memorização estratégico.
Além disso, a memorização promove o processo de raciocínio, resolução de problemas e criatividade. O que acontece é que, quando uma informação pode ser acessada na memória com facilidade, ou seja, foi apreendida e bem memorizada, o cérebro dispõe de maior energia para tomar boas decisões, raciocinar, resolver problemas, do que depositar a energia cognitiva para recuperar informações da memória.
Como explica Eric Kandel, neurocientista premiado com o Nobel, as conexões neurais são fortalecidas por meio da repetição, e é a repetição constante que leva à fixação de conteúdos. Isso revela que memorizar de maneira ativa, fazendo revisões constantes, por exemplo, é a melhor estratégia para promover um aprendizado duradouro e que pode ser futuramente aplicado em qualquer área da vida.
Por fim, construir um processo de memorização ativo e eficiente é o que permite desenvolver uma rotina de estudos mais produtiva, adequada e menos desgastante. Quando uma informação estudada é bem fixada na memória, há menor necessidade de releitura, repetição excessiva de conteúdos, ou seja, o estudo se torna mais produtivo porque apenas uma sessão de dedicação de aprendizagem foi suficiente para levar ao aprendizado e à retenção daquela informação.
De acordo com uma pesquisa publicada na Annual Review of Psychology, Roediger e Butler (2011) fazem uso de boas técnicas que fortalecem a memória, como por exemplo o spaced repetition, que é uma ótima maneira de melhorar o desempenho e diminuir o tempo para o estudo. Portanto, memorizar de maneira eficaz é fundamental para aprender melhor e com mais qualidade.
O que o leitor aprenderá neste artigo
Você sente que estuda bem, mas depois de um tempo, não consegue se lembrar das informações e conteúdos que viu na rotina? Isso é bastante comum na vida acadêmica e escolar de qualquer estudante, e muitas vezes a questão está na falta de boas estratégias de memorização.
É por meio da memorização ativa e eficiente que o conhecimento é consolidado, e só assim se pode dizer: eu aprendi realmente! Aplicar estratégias de memorização e revisão ativa, como o Spaced Repetition, é a melhor decisão para quem deseja aprender com maior autonomia e qualidade.
Este artigo tem como objetivo mostrar os desafios de memorizar conteúdos a longo prazo e a importância da memorização para promover um aprendizado mais eficiente, e ao mesmo tempo trazer qualidade para a rotina de estudos como um todo, onde o estudante consegue poupar mais energia cognitiva e agir com maior autonomia nos seus estudos.
Vamos trazer o que é o método de revisão espaçada e como o espaçamento ativa a memória de longo prazo, bem como a base científica do Spaced Repetition, para promover um aprendizado mais duradouro e eficiente, e garantir uma memorização ativa e sólida na aprendizagem.
Destacamos alguns benefícios do método de revisão espaçada, como: melhora significativa na memorização, economia de tempo nos estudos, redução da ansiedade pré-provas, aprendizado mais duradouro. Vamos abordar também como usar o Spaced Repetition com um passo a passo prático para aplicação no dia a dia. E, por fim, alguns erros comuns ao usar o método de revisão espaçada e como evitá-los.
Não tenho dúvidas de que, fazendo uso do Método de Revisão Espaçada na sua rotina, você conseguirá aumentar a retenção de informações na memória no longo prazo, vai conseguir amenizar a curva do esquecimento e aprender com maior qualidade, diminuindo os comportamentos prejudiciais como a procrastinação, por exemplo, que afeta a vida de tantos estudantes. Aproveite essa chance e mergulhe nesse conteúdo valioso!
1. Método de Revisão Espaçada: o que é e como melhora a retenção de conteúdos?
1.1 Definição:
O método de revisão espaçada, conhecido em inglês como Spaced Repetition, é uma técnica de estudo que se baseia na repetição constante de conteúdos estudados dentro de intervalos bem definidos em um tempo crescente. O propósito da técnica é garantir a revisão eficiente de uma informação e reter os conteúdos estudados na memória de longo prazo.
O Spaced Repetition vem como uma poderosa “solução” para amenizar os efeitos da curva do esquecimento de Ebbinghaus (1885), que demonstrou que, quando não há uma revisão constante, grande parte das informações colocadas na memória é perdida. Por isso, fazer uso de método de estudo é uma forma de não apenas promover um aprendizado mais adequado, mas garantir que as informações estejam retidas na memória e que possam ser usadas e acessadas a qualquer momento.
Essa técnica tem um papel de destaque dentro da Psicologia Cognitiva. Como explica Cepeda et al. (2006), em uma meta-análise publicada na Psychological Science, fazer uso do espaçamento entre revisões diárias promove a construção de uma retenção mais eficiente e duradoura, em comparação com revisões mais concentradas.
Ou seja, fazer sessões de revisões diárias, mesmo que dentro de um curto período de tempo, é mais eficiente do que fazer uma longa revisão apenas uma única vez. O processo de memorização, no primeiro caso, vai acontecendo de maneira mais efetiva e com qualidade. O que é importante para economizar tempo de estudos futuros, por exemplo.
Além disso, a revisão espaçada é uma técnica adaptável e pode ser aplicada em qualquer área do conhecimento. Estudantes que desejam estudar melhor, jovens que estão se preparando para provas e exames, profissionais que estudam idiomas, qualquer perfil de aprendiz pode fazer uso do método e alcançar grandes benefícios.
De acordo com Dunlosky et al. (2013), as técnicas de aprendizagem que respeitam o tempo de consolidação da memória, como o spaced repetition, são vistas como métodos de alta qualidade para o aprendizado eficiente. Portanto, a revisão espaçada é uma técnica que promove a memorização duradoura e eficaz, e apresenta embasamento científico, e por isso pode e deve ser muito bem aplicada em qualquer rotina de estudo.
1.2 Como o espaçamento ativa a memória de longo prazo:
A técnica de revisão espaçada trabalha em igualdade com todo o processo de armazenamento e retenção de informações que acontece nas funções cognitivas. Então, quando um conteúdo é revisado de maneira ativa, e dentro de intervalos regulares e bem definidos, ele é processado e armazenado a partir de um esforço cognitivo e isso promove a consolidação da memória de longo prazo, de maneira eficaz.
Como explica a Teoria da Consolidação da Memória de McGaugh (2000), a repetição constante fortalece as conexões sinápticas, e isso promove a retenção mais resistente de informações, o que é importante para diminuir os efeitos da curva do esquecimento. Desse modo, a revisão espaçada auxilia em todos os mecanismos cognitivos de retenção de informações e garante, assim, um aprendizado qualificado.
Além disso, o espaçamento que é colocado entre revisões aumenta o chamado “esforço de recuperação”, ou seja, existe aqui uma certa dificuldade saudável em se esforçar para lembrar um determinado conteúdo. De acordo com Bjork & Bjork (1992), esse esforço que acontece reforça também ainda mais as informações na memória, e isso facilita a retenção e até mesmo a recuperação dessa informação no futuro.
Por isso, o esforço saudável nas revisões diárias também leva a uma certa otimização do tempo de estudo, ajudando o estudante a diminuir a necessidade de releituras constantes, por exemplo.
Outra questão importante é que o espaçamento promove também diminuição dos efeitos da curva do esquecimento proposta por Ebbinghaus (1885), que revela como as informações podem ser rapidamente perdidas da memória quando não existem revisões frequentes. Quando se realiza uma revisão ativa logo após uma sessão de estudos, a curva do esquecimento é amenizada, e as informações estudadas são mais fortemente gravadas na memória.
De acordo com um estudo feito por Cepeda et al. (2006), publicado na Psychological Science, fazer revisões em sessões bem divididas garante uma retenção mais significativa na memória, mesmo após dias ou semanas de estudo inicial. Interessante, né?!
Por fim, o espaçamento também atua respeitando o espaço entre as informações que estão na memória de curto prazo a serem transferidas para a memória de longo prazo. Como explicam Karpicke & Roediger (2008), a prática espaçada, especialmente quando combinada com testes de recuperação, é a melhor estratégia para promover a retenção de informações no longo prazo.
Isso mostra que aplicar no cronograma de estudos as sessões de revisão espaçada é uma estratégia muito importante e necessária para levar à memorização de conceitos estudados e garantir assim um aprendizado mais duradouro e significativo.
1.3 Por que o Spaced Repetition funciona? (base científica)
O método de revisão espaçada é uma técnica muito efetiva porque trabalha dentro de princípios consolidados da neurociência e da psicologia cognitiva. Você já fez uso desse método na sua rotina? Conhece alguém que o utiliza com frequência? Uma das bases teóricas dessa técnica é a curva do esquecimento, desenvolvida por Hermann Ebbinghaus (1885), que revelou que uma informação que não é revisada com frequência é rapidamente perdida da memória.
E assim, a revisão espaçada se destaca nesse contexto, como uma ferramenta poderosa para promover a memorização eficiente, reter as informações de maneira duradoura e reduzir os efeitos negativos da curva do esquecimento. De acordo com estudos publicados por Cepeda et al. (2006) na Psychological Science, muitos pesquisadores revelaram que a realização de revisões frequentes causa efeitos diretos na retenção de informações na memória de longo prazo.
Assim, quanto mais bem espaçadas forem as revisões de um conteúdo, maior será a eficácia no processo de aprendizagem e memorização. Isso acontece porque o esforço de recuperação que é depositado nas revisões fortalece de maneira expressiva as conexões neurais e promove assim o processo de retenção eficiente.
Outra questão importante é associar o Spaced Repetition à teoria do “teste como ferramenta de aprendizagem”. Como explicam Karpicke e Roediger (2008), um estudante que é incentivado a recuperar informações de maneira ativa, por meio de esforço cognitivo, atinge uma retenção de informações de maneira mais expressiva na memória de longo prazo.
O Spaced Repetition trabalha justamente nessa recuperação ativa de informações, e assim constrói um processo de memorização mais duradouro. Isso faz dessa técnica uma ferramenta poderosa para memorizar e armazenar conceitos, vocabulários, fórmulas, dados de qualquer área do conhecimento. Você já sabia disso?
Por fim, vale destacar que o spaced repetition não apenas auxilia no processo de memorização eficaz, mas também diminui os efeitos da sobrecarga cognitiva. De acordo com Sweller et al. (1998), pela Teoria da Carga Cognitiva, o aprendizado eficiente é construído quando um conteúdo é absorvido dentro de intervalos regulares e definidos, com um tempo adequado para a memória do trabalho transferir e processar essas informações para a memória de longo prazo.
O spaced repetition atua exatamente nesse processo através de revisões constantes e graduais, de maneira sólida. É uma técnica muito presente em plataformas de ensino como Anki, Quizlet e SuperMemo, por exemplo.
Resumo rápido:
- O método de revisão espaçada, conhecido em inglês como Spaced Repetition, é uma técnica de estudo que se baseia na repetição constante de conteúdos estudados dentro de intervalos bem definidos em um tempo crescente. O propósito da técnica é garantir a revisão eficiente de uma informação e reter os conteúdos estudados na memória de longo prazo.
- Quando um conteúdo é revisado de maneira ativa, e dentro de intervalos regulares e bem definidos, ele é processado e armazenado a partir de um esforço cognitivo e isso promove a consolidação da memória de longo prazo, de maneira eficaz e proporciona um aprendizado mais efetivo.
- A revisão espaçada é uma ferramenta poderosa para promover a memorização eficiente, reter as informações de maneira duradoura e reduzir os efeitos negativos da curva do esquecimento.
- Quanto mais bem espaçadas forem as revisões de um conteúdo, maior será a eficácia no processo de aprendizagem e memorização. Isso acontece porque o esforço de recuperação que é depositado nas revisões, fortalece de maneira expressiva as conexões neurais e promove assim o processo de retenção eficiente.
2. Principais benefícios do método de revisão espaçada para a memorização e aprendizado!
2.1 Melhora significativa na memorização
Um dos principais benefícios da revisão espaçada é a qualidade em todo o processo de memorização. Quando um estudante realiza revisões constantes em intervalos bem definidos, é iniciado também o processo de recuperação ativa, e por meio dela todas as conexões neurais são fortalecidas.
Como explicam Roediger e Karpicke (2006), em artigo publicado no Journal of Memory and Language, lembrar por meio do esforço intencional, por meio de espaçamentos, leva a uma retenção mais eficiente na memória de longo prazo. E por isso, a revisão espaçada promove maior qualidade na memorização e na retenção de informações em todo o aprendizado.
De acordo com Dunlosky et al. (2013), publicado na Psychological Science in the Public Interest, o spaced repetition é uma técnica muito poderosa dentro dos diversos métodos de aprendizagem avaliados. E assim, ao usá-la de maneira ativa e consistente, um estudante deixa de decorar conteúdos de maneira passiva e passa a reter conteúdos de forma mais significativa, e isso é fundamental para construir um conhecimento sólido e duradouro.
2.2 Economia de tempo nos estudos
A revisão espaçada também promove maior otimização do tempo de estudo. Ao dividir as sessões de estudo com revisões constantes e estratégicas, o estudante consegue não apenas revisar de maneira ativa uma informação estudada, como também diminuir a necessidade de mais revisões de maneira repetida.
De acordo com Cepeda et al. (2006), os intervalos de estudos bem planejados entre revisões constroem retenções mais eficientes na memória e diminuem a necessidade de revisões com maior frequência, otimizando assim todo o tempo de estudo.
A economia de tempo é importante para estudantes que vivem uma rotina intensa e diversificada entre muitos conteúdos e disciplinas. De acordo com Kornell (2009), da Universidade da Califórnia, a distribuição espaçada de revisões estimula o cérebro a processar melhor todas as informações e diminui a fadiga mental.
Isso significa que, com revisões ativas e constantes, o estudante desenvolve um equilíbrio entre momentos de dedicação e diminui as influências da fadiga mental no aprendizado.
2.3 Redução da ansiedade pré-provas
Um dos principais pontos de ansiedade entre estudantes é a sensação de que um conteúdo não foi tão bem absorvido para a realização de uma prova. O spaced repetition se destaca aqui como uma poderosa técnica para construir confiança, onde todo o conhecimento é revisado de maneira gradual e constante ao longo do tempo.
Como explicam Karpicke & Blunt (2011), em estudo publicado na Science, a recuperação espaçada não somente fortalece a memória, mas também leva a uma maior sensação de autonomia e bom preparo para provas e exames, e isso diminui o estresse e a ansiedade, comuns nesses cenários.
Além disso, realizar revisões constantes em intervalos de tempo bem determinados diminui a sobrecarga nos estudos e ajuda o estudante a viver uma rotina mais saudável e equilibrada entre todas as suas demandas acadêmicas e escolares.
Como explica Weinstein et al. (2018), revisões regulares ao longo do tempo desenvolvem um ciclo de aprendizagem mais tranquilo e levam a um maior bem-estar emocional na vida estudantil. Por isso, aplicar boas técnicas de aprendizagem, como o spaced repetition, é uma decisão assertiva que leva a maior segurança e clareza em todo o aprendizado.
2.4 Aprendizado mais duradouro
O aprendizado mais duradouro é um dos resultados mais positivos quando se aplica a técnica da revisão espaçada. Com essa técnica, é possível não somente revisar de forma constante conteúdos e informações estudados, mas também garantir a retenção adequada na memória e assim, consegue-se acessar essas informações a qualquer momento, permitindo que todo o processo de aprendizagem seja mais sólido e duradouro na memória.
De acordo com McGaugh (2000), em artigo publicado na Annual Review of Psychology, a repetição espaçada ativa a consolidação da memória no hipocampo, e assim os dados e conteúdos sofrem menos interferências do esquecimento.
Com isso, todo o conhecimento que foi, inicialmente, construído para a realização de um exame, por exemplo, ajuda o estudante a manter todas essas informações por longo prazo na memória. Como esclarecem Rawson e Dunlosky (2011), a repetição espaçada promove benefícios até mesmo em testes realizados semanas ou meses após um estudo inicial, em comparação com revisões que são menos ativas e concentradas.
Ou seja, com essa poderosa técnica, é possível aprender de maneira efetiva e construir um conhecimento duradouro que pode ser acessado sempre na memória e aplicado em qualquer contexto ou situação, seja da vida acadêmica ou escolar. Quem não deseja aprender um conteúdo e não esquecê-lo com facilidade, não é mesmo?!
Benefícios:
- Qualidade proporcionada no processo de memorização;
- Otimização de todo o tempo de estudo;
- Segurança e clareza no aprendizado com redução da ansiedade em pré-provas;
- Aprendizado duradouro.
3. Como Usar o Spaced Repetition no dia a dia: Passo a passo para memorizar melhor!
3.1 Passo a passo:
Fazer uso do método de revisão espaçada no dia a dia exige uma estratégia inteligente e que começa com a boa organização de todo o conteúdo que deve ser estudado durante o dia. O primeiro passo é dividir um tema de estudo grande em blocos menores e bem definidos, que irá posteriormente facilitar o processo de revisão. Depois, é preciso planejar os intervalos em cada revisão.
Por exemplo: 1º dia, 3º dia, 7º dia, 14º dia e 30º dia, irei realizar revisões. Essa é uma estrutura em concordância com a curva do esquecimento de Ebbinghaus (1885), que explica que uma informação deve ser revista antes de ser esquecida, para que assim possa ser retida e fixada na memória de longo prazo.
Além desses passos, outra recomendação é fazer uso de ferramentas digitais que possam facilitar o processo de revisão espaçada. Alguns aplicativos como Anki e Quizlet já possuem algoritmos que calculam quais são os melhores momentos do dia para realizar as revisões de cada conteúdo estudado, de acordo com a realidade e as necessidades pessoais de cada usuário.
Como explicam Karpicke e Bauernschmidt (2011), o aprendizado que é construído em torno da revisão estratégica e espaçada promove uma retenção de informações mais eficiente. E assim, com um planejamento de estudo bem definido e a aplicação de ferramentas digitais, é possível fazer uso do spaced repetition com eficácia e melhorar todo o processo de aprendizagem.
3.2 Como identificar o que revisar e quando revisar:
Para que a técnica seja útil, é fundamental identificar e selecionar o que precisa ser revisado e em qual momento do dia. A recomendação aqui é escolher quais são os conteúdos mais complexos e que geram maior dificuldade, e assim dar prioridade a eles nas primeiras revisões.
Como explica a Teoria do Esforço de Recuperação, proposta por Bjork & Bjork (1992), quanto maior for a dificuldade para recordar um conteúdo, maior também será o esforço depositado para reter essas informações na memória. Isso esclarece que revisar conteúdos e informações que você ainda não domina ajuda no processo de retenção eficiente e melhora do aprendizado.
A periodicidade das revisões deve ser estabelecida de acordo com o nível de facilidades e dificuldades com o tema estudado. Tópicos que são mais novos exigem revisões mais próximas, enquanto conteúdos que já foram estudados e aprendidos podem ser revisados em intervalos maiores.
De acordo com Rawson e Dunlosky (2011), revisar informações no limite do esquecimento, ou seja, antes de realmente esquecê-las, melhora o processo de retenção na memória de longo prazo. Essa estratégia promove a construção de maior equilíbrio entre tempo, esforço e resultados. Muito legal, não é mesmo?!
3.3 Dicas para criar um cronograma eficaz:
Construir um cronograma de estudos efetivo baseado no spaced repetition necessita de planejamento, realismo e constância. É preciso observar como estão as demandas de atividades da semana e construir revisões em pequenas sessões diárias. Opte por dar preferência a horários que sejam fixos, porque a regularidade ajuda o cérebro a se adaptar bem aos momentos de revisões.
Como explica Dunlosky et al. (2013), a consistência nos métodos de estudo está bastante relacionada ao sucesso no processo de retenção de informações, especialmente quando se faz uso do espaçamento de maneira estratégica.
Outra dica é construir o cronograma junto com métodos complementares de estudo, como testes práticos, mapas mentais, flashcards ou resumos ativos. Muitos estímulos diversos auxiliam na retenção eficiente e na consolidação da memória como um todo. Além disso, use também cores, categorias e etiquetas visuais para identificar os conteúdos que já estão fixados e os quais precisam de maior atenção e estudo.
Como explica Mayer (2009), no livro Multimedia Learning, o processo de aprendizagem é significativo quando existe uma variedade em formatos e estruturas de estudo de forma organizada. Por isso, desenvolver um cronograma realista, que se baseia em revisões bem definidas de estudo, que apresenta também uma diversidade em métodos e técnicas utilizados e em boas estratégias de aprendizagem, é a melhor forma de consolidar o conhecimento e alcançar resultados significativos e eficazes.
Quadro-resumo:
| 1 Passo a passo: O primeiro passo para usar o Spaced Repetition no dia a dia é dividir um tema de estudo grande em blocos menores e bem definidos, que irá posteriormente facilitar o processo de revisão. Depois, é preciso planejar os intervalos em cada revisão. Por exemplo: 1º dia, 3º dia, 7º dia, 14º dia e 30º dia irei realizar revisões. Procure fazer uso de ferramentas digitais que possam facilitar o processo de revisão espaçada. Alguns aplicativos como Anki e Quizlet já possuem algoritmos que calculam quais são os melhores momentos do dia para realizar as revisões de cada conteúdo estudado, de acordo com a realidade e as necessidades pessoais de cada usuário. |
| 2 Como identificar o que revisar e quando revisar: Selecionar o que precisa ser revisado e em qual momento certo é essencial. Procure escolher quais são os conteúdos mais complexos e que geram maior dificuldade, e assim dar prioridade a eles nas primeiras revisões. A periodicidade das revisões deve ser estabelecida de acordo com o nível de facilidades e dificuldades com o tema estudado. Tópicos que são mais novos exigem revisões mais próximas, enquanto conteúdos que já foram estudados e aprendidos podem ser revisados em intervalos maiores. |
| 3 Dicas para criar um cronograma eficaz: Procure observar como estão as demandas de atividades da semana, e construir revisões em pequenas sessões diárias. Opte por dar preferência para horários que sejam fixos, porque a regularidade ajuda o cérebro a se adaptar bem aos momentos de revisões. Faça um cronograma junto com métodos complementares de estudo, como testes práticos, mapas mentais, flashcards ou resumos ativos. Esses recursos ajudam na retenção efetiva das informações e na consolidação da memória. |
4. Principais erros ao usar o método de revisão espaçada (e como evitá-los)!
4.1 Revisar muito cedo ou tarde demais:
Um erro bastante comum ao fazer uso da técnica de revisão espaçada é revisar um conteúdo muito cedo, ou seja, antes que o cérebro tenha chances de esquecê-lo. E assim, nesse cenário, o esforço para a recuperação, que é a base do spaced repetition, não é tão bem ativado.
De acordo com Bjork & Bjork (1992), o aprendizado é mais eficaz quando existe uma pequena dificuldade no processo de recuperação de informações. Por isso, revisar muito cedo um conteúdo que foi estudado recentemente pode gerar uma “falsa” sensação de aprendizado e domínio.
Por outro lado, dar preferência para realizar as revisões quando é tarde demais pode fazer com que um conteúdo já tenha sido esquecido e perdido da memória, o que vai exigir um novo estudo e aprendizado. Como explica a curva do esquecimento de Ebbinghaus (1885), existe um momento ideal para fazer revisões, que é um pouco antes da informação ser perdida. O segredo está em encontrar esse momento fundamental.
Existem algumas plataformas, como o Anki, que apresentam algoritmos que calculam os intervalos de revisões de maneira assertiva. Porém, mesmo sem uso da tecnologia, é possível analisar a própria rotina de aprendizagem e observar as necessidades de revisões nos limites do esquecimento.
4.2 Depender apenas do app sem entender o conteúdo:
Os aplicativos de spaced repetition são ótimas ferramentas que ajudam nas revisões intercaladas e efetivas. Porém, depender unicamente desses aplicativos pode comprometer o estudo, as revisões e todo o aprendizado. Quando o processo de memorização é passivo e mecânico, as informações retidas são menos eficientes e funcionais.
De acordo com Mayer (2009), em sua Teoria da Aprendizagem Multimídia, a aprendizagem acontece quando o estudante entende o que estuda e integra a informação nova aos conhecimentos já adquiridos. E assim, repetir mecanicamente informações dificulta a eficiência no processo de aprendizagem e nas revisões e retenção de informações como um todo.
É importante fazer também uso de outras estratégias efetivas, como resumos, mapas mentais e testes práticos. De acordo com um estudo feito por Dunlosky et al. (2013), o uso de diferentes abordagens melhora o processo de retenção de informações, especialmente quando essas estratégias estão associadas à revisão espaçada.
A diversidade de métodos de estudo estimula diferentes áreas cognitivas e promove maior consolidação do conteúdo estudado. Portanto, a tecnologia, quando bem utilizada, é uma aliada poderosa para a aprendizagem, mas é preciso também aplicar os métodos tradicionais de aprendizagem que garantem a retenção apropriada.
4.3 Não adaptar o método à sua rotina:
Um grande erro é fazer uso de um modelo de revisão espaçada muito rígido e intenso, desconsiderando assim as próprias necessidades pessoais e o ritmo de estudo. É preciso aplicar o método de acordo com a própria realidade de estudo, para que assim ele possa funcionar com eficácia e consistência.
Como explica Sweller et al. (1998), pela Teoria da Carga Cognitiva, o aprendizado efetivo precisa de equilíbrio entre os desafios e o processamento. Desenvolver um cronograma inflexível ou que apresenta revisões inconsistentes ou irreais promove frustração e abandono de todo o processo de aprendizagem.
Mesmo que o spaced repetition seja desenvolvido com intervalos de revisões diferentes do que é recomendado no modelo padrão, ele ainda pode ser eficiente. Como explicam Rawson e Dunlosky (2011), quando há pequenas variações nos espaçamentos da rotina de estudo, ainda assim pode existir eficácia, desde que seja respeitado o processo de recuperação ativa.
A ideia central é aplicar a técnica de revisão espaçada de acordo com as próprias necessidades de revisões e a própria demanda e realidade de estudo, para que o aprendizado seja bem construído e consolidado e evite situações desafiadoras no estudo, como a falta de adaptação à rotina ou até mesmo rotinas muito intensas de estudo.
Principais erros:
- Revisar um conteúdo muito cedo, ou seja antes que o cérebro tenha chances de esquecê-lo ou tarde demais, depois que ele já foi esquecido e perdido na memória;
- Depender apenas de apps de spaced repetition para fazer revisões. É Preciso usar outros métodos também como resumos, mapas mentais, e testes práticos.
- Não adaptar o método de acordo com a própria realidade de estudo e necessidades.
Conclusão
Recapitulação dos principais pontos discutidos
Para concluir, vimos como a memorização é importante para promover um aprendizado mais eficiente. Muitos estudantes sofrem com a curva do esquecimento, onde o próprio cérebro tem um processo natural para esquecer informações aprendidas, e é aqui que se destacam estratégias importantes para amenizar as interferências desse problema, como as revisões frequentes e diárias.
Exploramos a respeito do método de estudo Spaced Repetition, que é uma técnica de estudo que se baseia na repetição constante de conteúdos estudados dentro de intervalos bem definidos em um tempo crescente. O propósito da técnica é garantir a revisão eficiente de uma informação e reter os conteúdos estudados na memória de longo prazo.
A revisão espaçada é uma técnica adequada e eficaz porque promove a memorização verdadeira, a retenção de informações de maneira duradoura e reduz os efeitos negativos da curva do esquecimento.
Apresentamos mais benefícios do método de Revisão espaçada, como: Melhora significativa na memorização, Economia de tempo nos estudos, Redução da ansiedade pré-provas e Aprendizado mais duradouro. Além disso, mostramos maneiras de usar o Spaced Repetition na prática, e dicas para construir um cronograma de estudos significativo e adequado.
Por fim, abordamos os erros comuns ao usar o método de revisão espaçada e como evitá-los, dentre os quais se destacam: Revisar muito cedo ou tarde demais, Depender apenas do app sem entender o conteúdo, Não adaptar o método à sua rotina. Observe se na sua jornada, e até mesmo na aplicação do Spaced Repetition, você está vivenciando algum desses possíveis erros e procure rapidamente combatê-los para que não interfira de maneira negativa nos seus resultados futuros.
Com o Spaced Repetition, você consegue construir um cronograma específico voltado somente para realizar revisões de acordo com as suas necessidades e demandas acadêmicas ou escolares! Todo o seu conhecimento vai se solidificando na memória e a curva do esquecimento vai sendo amenizada. Você terá alto desempenho em provas e exames justamente porque aprendeu melhor com a revisão espaçada e vai conseguir estudar com maior eficiência.
Teste e aplique o Spaced Repetition na sua rotina!
Você observou como memorizar conteúdos de maneira eficiente é importante para garantir um aprendizado eficaz? Estudar por longas horas, por vários dias e, após algumas semanas, esquecer tudo o que estudou é realmente frustrante! É preciso fazer uso de estratégias positivas para diminuir a curva do esquecimento, e a repetição espaçada é uma técnica valiosa para ajudar na memorização e retenção de informações de maneira sólida e duradoura, e que pode ser aplicada em qualquer planejamento de estudos!
Se você busca por mais técnicas de aprendizagem como essa, e por dicas de estudo, estratégias de produtividade, e até mesmo aprendizado de idiomas, o nosso blog é o lugar certo! Conheça mais nossos outros artigos! Você descobrirá muitas maneiras positivas de melhorar o seu aprendizado e torná-lo mais apropriado e significativo em busca de seus objetivos!




